Sobre mim

A história de Marcela Polastri

O começo no esporte

Marcela Polastri Thereza, atleta da seleção brasileira, começou no Kung Fu sem pretensões de seguir carreira no esporte. Em 2007, ainda adolescente com 16 anos, foi diagnosticada com depressão, e começou a fazer tratamentos convencionais com medicação e atendimento psicológico e psiquiatra. Porém, acreditava que para superar a doença precisava de algo a mais em sua vida. Como sempre gostou muito de esportes, decidiu então, praticar alguma atividade física.

Uma colega que treinava Kung Fu na Associação Yamada Wushu a convidou para conhecer o esporte e fazer uma aula experimental. Ela foi em um dos treinos para observar e acabou se apaixonando pela arte marcial. “Eu gostei de ver o pessoal fazendo os movimentos, rápidos, e com bastão e facão, então decidi voltar e fazer uma aula experimental”, comenta Marcela.

Foi uma experiência muito diferente para a atleta, que antes havia praticado capoeira, natação e os esportes de quadra nas aulas de educação física. “Eu não sabia que Kung Fu era um esporte. Eu havia visto tudo nos filmes do Jackie Chan e do Bruce Lee, e achava que era coisa de cinema”.

O esporte a ajudou muito na parte mental e a controlar sua ansiedade e sentimentos. A junção da prática esportiva com o acompanhamento médico fez com que ela se recuperasse da doença, saísse dos sintomas e recebendo alta das consultas. Porém, o Kung Fu continuou em sua rotina de treinamentos. “O esporte foi como uma válvula de escape para mim”, comenta.

De Bauru para a seleção

Marcela continuou frequentando os treinos e se dedicando ao Kung Fu. Com o passar do tempo, seu técnico viu que ela tinha facilidade com os movimentos e a chamou para fazer parte da equipe de competição da academia, a partir daí começava sua trajetória de conquistas e sucesso no esporte.

“Entrei no esporte sem pretensão de ser atleta, e conforme fui treinando, foi surgindo a vontade de evoluir e melhorar cada vez mais para entrar na equipe de competição. Comecei a participar de competições pequenas, ganhei os regionais e a seletiva para o paulista, logo em seguida, venci o campeonato paulista. ”

Regionais, Paulista, Brasileiro, Marcela foi vencendo campeonatos e marcando seu nome no esporte. Não demorou muito para chegar a seleção brasileira, mais precisamente em 2011.

“Fui crescendo de degrau a degrau até chegar na seleção brasileira. ”

Pela seleção Marcela disputou vários campeonatos. Foi campeã Sul-americana em Assunção no Paraguai em 2015. No mesmo ano disputou seu primeiro Campeonato Mundial, em Jakarta na Indonésia. Ela voltou para casa com o sexto lugar e memórias inesquecíveis.

“Foi uma experiência inesquecível, o fato de eu estar lá (Indonésia), me mostrou muita coisa como atleta. Fui sem pretensão de título, estava competindo contra asiáticas e europeias que eu nunca tinha visto pessoalmente. Queria me apresentar da melhor maneira possível e sair satisfeita comigo mesma”, comenta Marcela.

Como era sua primeira vez contra aquelas atletas, ela não fazia ideia do que iria acontecer ou que nota os juízes dariam. Sem pretensões almejou ficar entre as 15 melhores, e para sua surpresa terminou a competição em 6º lugar. “Por ser a primeira vez, foi algo que eu nunca havia imaginado. Além disso fui uma das melhoras atletas da delegação brasileira no campeonato”, completa.

Isso a motivou para ir além, a partir do Mundial de 2015, ela mudou a forma de seus treinamentos, deixando de forma parecida com o das atletas que haviam disputado o campeonato.

Depois veio o título de campeã Pan-americana em 2016, 3º lugar nos BRICS Games em 2017 e mais um 6º lugar no campeonato Mundial, disputado em Kazan na Rússia em 2017. Individualmente ganhou seis vezes o Troféu Ligado, que premia os melhores atletas do esporte bauruense.

Desafios para o futuro

Hoje em dia a vida de Marcela gira em torno do Kung Fu. Como não é um esporte olímpico, poucas empresas têm interesse de patrocinar, e ela não consegue viver apenas como atleta.

Formada em educação física, ela trabalha em academias e como personal trainer. O seu desafio sempre é conseguir patrocínios e parcerias para viajar e participar das competições, “eu sempre tive que correr atrás de tudo para pagar as competições”, diz Marcela.

Ela tem como desafio e objetivo divulgar o esporte no Brasil. “Pretendo fazer o esporte ser mais conhecido, tudo que envolve o Kung Fu aqui e fora do Brasil é mal divulgado. Quero apresentar o esporte para as pessoas e ajudar para que ele tenha mais reconhecimento”, comenta Marcela.

Visando ainda mais conquistas no esporte, ela treina seis vezes por semana, sendo treino técnico de duas a três vezes e treino físico duas vezes por semana, descansando só nos domingos.

“Hoje em dia eu não consigo pensar na minha vida sem o Kung Fu. Ele ajudou a me erguer, sair da depressão e hoje eu me sinto muito grata a tudo isso. Mesmo com todas as dificuldades que eu tenho, algo sempre me puxa de volta. Quando você gosta do que faz, você se dedica por inteiro”.


Perfil

Nome: Marcela Polastri Thereza

Idade: 27 anos

Altura: 1,64

Cor: amarelo

Comida: Yakissoba

Filme: Rei leão

Música: não tenho uma música, ouço de tudo, pop, black, gosto de músicas com a voz marcante. No último Mundial que disputei ouvi Ivete Sangalo.

Ídolo: Ayrton Senna

ídolo no esporte: He Jing De (Atleta chinês de Kung Fu Campeão Mundial)

Frase: “A vontade de se preparar tem que ser maior que a vontade de vencer. Vencer será a consequência de uma boa preparação.” Bernardinho, técnico de voleibol

O que é esporte para você: autoconhecimento