Kung Fu bauruense faz ‘vaquinha’ para ir ao Mundial

Lutadores fazem campanha online para viajarem à Indonésia e disputarem Wushu

Eles foram escolhidos entre os vários atletas da Seleção Brasileira para disputar o 13º mundial de Kung Fu/Wushu, que ocorrerá em novembro deste ano em Jacarta, na Indonésia, mas correm o risco de ver o sonho de representar Bauru e o Brasil por água abaixo por falta de apoio.

A menos de dois meses para o início do campeonato – que acontecerá de 11 a 18 de novembro –, a equipe formada por Marcela Polastri, 24 anos, selecionada para o mundial pela primeira vez e vista como uma promessa no esporte, Marcelo Yamada, 29, em seu quinto mundial, e Henry Nakata, 21, convocado pela segunda vez, não conseguiram nenhum tipo de patrocínio ainda para ajudar nas despesas com a viagem, que sairá cerca de R$ 10 mil para cada atleta.

Atual campeã sul-americana e bauruense, Marcela, que é a única mulher integrante da equipe composta por atletas da Associação Yamada, conta que, assim como Marcelo Yamada – Henry Nakata fará rifa e tentará pagar o restante com recursos próprios –, tem depositado suas esperanças em participar do mundial em uma campanha via internet – no site Vakinha.com.br -, iniciada por ela mesma nos últimos dias, afim de arrecadar o valor da passagem e, ao menos, metade da hospedagem na Indonésia. O problema, é que, segundo ela, para que a iniciativa dê certo os valores devem ser depositados até o dia 24 de setembro, data em que deve ocorrer o pagamento de parte da viagem.

“Sem esse valor em mãos será impossível participar da competição. Infelizmente, no nosso país o kung fu não é valorizado. Quase não existe interesse comercial em divulgar marcas em troca da ajuda financeira aos atletas. É uma pena, porque é um esporte belíssimo, de tradição milenar e com grande potencial educativo e formador. Muita gente acaba mudando para outro tipo de esporte ou abandona o Kung Fu por causa dessa dificuldade”, resume Marcela, que com apenas oito anos de treinos conquistou seu lugar na Seleção, foi tricampeã brasileira, tricampeã paulista, vice-campeã pan-americana em 2012 e 2014.

Dificuldades

Diferentemente de modalidades que hoje estão em alta, como o MMA, por exemplo, as titulações, não bastaram para conceder a Marcela, moradora da Vila Independência, ajuda mínima para o sustento da prática. “O que eu ganho trabalhando como professora em uma academia e como personal é para me manter treinando. Eu praticamente abdiquei da minha vida para viver o kung fu todos esses anos. Sempre arquei com todas as despesas das viagens para os campeonatos”, detalha a atleta.

Exceto por um episódio em 2012, lembra, quando um padre da igreja onde frequenta, – Paróquia do Senhor Bom Jesus, na Vila Independência – uniu-se à comunidade local para ajudar a família da atleta a realizar um chá beneficente, que ajudou no custeio de toda a viagem para o Campeonato Panamericano do México, naquela ocasião.

Apesar de servirem à Confederação Brasileira de Kung Fu Wushu (CBKW), os atletas em questão não recebem nenhuma bolsa ou ajuda de custo. No ano passado, a única empresa de Bauru que abraçava os atletas da Associação Yamada com uma quantia em dinheiro cortou o apoio. “Não ganhávamos muito e dividíamos esse dinheiro entre todos os atletas da equipe, que são mais de 15. Apesar do corte financeiro, somos imensamente gratos a eles, pois nos ajudaram por muitos anos”, pontua a atleta.

Atualmente, a Associação tem o apoio de Black Rhino e ACOAS, que disponibilizam bebidas energéticas e local de treino respectivamente. Marcela também possui apoio individual da Crossfit My Way, que auxilia em sua preparação física. Os atletas procuram, agora, patrocínio de empresas para captar recursos, conseguirem viajar e participarem do evento.

Fonte: JcNet .com.br